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Caleidoscópio

Tenho olhos de caleidoscópio, daqueles que mudam de cores e afetam nossas vontades, nossas certezas e nossas capacidade de ver a real.

Tem dias que as pecinhas formam desenhos raivosos e cheios de mágoa e nesses dias, o clima fica nublado, chuvoso com possibilidades de raios e tempestades.

Tem dias que a figura é da maledicência, da inveja. São cores que a gente não quer ver e nem contar que viu. Quadros proibidos em nossa vidinha sem graça. Mais tabu do que qualquer liberdade sexual. Quem irá admitir inveja? Nunca, jamais abertamente.

Tem dias que a composição é belíssima!! E a gente torce para que a roda do caleidoscópio só forme o nosso melhor. Olhos que podem ver  beleza em tudo e em todos. A vida flui, a gratiluz vem e a gente agradece. Agradece por estar vivo, por ser quem somos, por poder seguir em escolhas possíveis e prováveis.

Tem dias que a composição é melancólica e a formação das mandalas dos “e se” formam belos desenhos de um imaginário daquilo tudo que não foi. Quadros de caminhos que poderíamos ter escolhidos, rotas desviadas e florestas não visitadas.

Tem dias que que o desenho é de uma espada. E a coragem se instala. Joanas gostariam de nos ter nas trincheiras. São dias que a gente quer mais dos nossos desfrutando dessas bravuras.

Tenho olhos de caleidoscópio. Olhos que me afetam. Olhos que espelham meu mundo e refletem as possibilidades multiplicadas em mim.