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Frames e casas

Preciso falar de Rebeca. Não sei se é assim que se escreve seu nome. Nunca soube. Ela assina Rebec80. Uma falha inexplicável e inaceitável, mas vamos falar dessa minha amiga.

Eu a conheci da minha janela virtual. Isso pode parecer estranho, mas é assim que as coisas acontecem de uns tempos para cá. De repente você começa a conviver com alguém diariamente, semanalmente, seja lá a frequência que for, e você adentra sua intimidade de maneira angular. Já conheci cantos inimagináveis do ninho dela. Uma vez, passou o encontro todo com a sua janela virada para o teto da cozinha. Descobri a pintura das paredes, sua luminária, um pouco da geladeira. Nesse dia não vi o rosto de minha amiga, mas pressenti que ela devia estar atrasada, porque aproveitou o momento síncrono para tomar um lanche.

Rebec80 gosta de passear pela casa. Às vezes corre, muda de cômodos e sua conexão congela em poses extraordinárias. Nunca tirei nenhum print desses momentos, porque acredito que seja invasão de campo alheio, mas em minha memória guardo frames incríveis.

Eu, por outro lado, sou uma amiga constante, acho que até devo ser previsível, pois o meu pano de fundo é sempre o mesmo. Paredes brancas, um terço de uma janela sem cortinas, que um dia colocarei e alguns livros empilhados. A organização dos livros muda a cada semana. Mas preciso ficar parada para me concentrar, caso contrário não   aproveito nossos encontros. Preciso anotar, participar e ao mesmo tempo, ter no meu campo de visão os rebentos. Incrivelmente já nos encontramos em diversos eventos digitais e hoje até seguimos uma a outra em nossas redes sociais. Sinto falta quando ela não está. Acho que vou criar o hábito de convidá-la todas as vezes em que eu decidir me aventurar em um novo curso.

Esse texto foi inspirado no tema da seleção Convizinhas. Já conhece?