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Carta para a incongruência

Ela não entende de ayurveda mas diariamente raspa a língua ao acordar. Dizem que as toxinas acumuladas, na calada da noite, são expulsas ao contato do cobre. Sua intenção é eliminar o eliminável e o constante retorno do que já foi. Torce secretamente para que esse químico, com seu símbolo Cu, varra mais do que uma babada matinal.

Ela vive com alergias, coceiras e todos os tipos de eczemas, dermatites, rachaduras, mas quando lembra, passa um escovão pele acima, pele abaixo, tentando eliminar aquilo que ainda restou, que insiste em permanecer, células mortas, em decomposição, mesmo que para isso passe horas depois em uma dança esquizoide urticariante.

Ela tem uma mente mais veloz que a cheetah, mas ensaia semanalmente uma nova meditação. Guiada, solitária, cantada, com frequência hertz, solfeggios.

Desvenda que a questão são músculos retesados e curtos.

Um musculo curto é de uma beleza sem fim.  

Promete-se diariamente que irá fazer ao menos 10 minutos de alongamento, mesmo depois de noites em que mais parece um caramujo tamanho GG dentro de um casulo tamanho PP.  

Endereça esta carta à qualidade, condição e estado de incoerência. Sua falta de lógica, de disparate deve ser presenteada com a junção de palavras e sentidos, que podem, aos olhos alheios não ter nexo.

O que seria da harmonia sem os seres discrepantes e ilógicos?

Esse texto faz parte do projeto Desaguando Histórias. Já conhece?